sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Hospedagem de pessoas com restrições alimentares - atendimento de Celíacos e Sensíveis ao glúten


A maior parte dos hóteis brasileiros ainda serve um café da manhã 
onde só há opções com glúten ou com riscos de contaminação por glúten



Por Raquel Benati
(www.riosemgluten.com.br)


Acessibilidade em hotéis: "o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Federal nº 13.146/2015) estabeleceu um prazo até janeiro de 2018 para que hotéis, pousadas e demais empreendimentos do setor adaptassem suas instalações. As novas construções precisam seguir os princípios universais e adotar todos os meios de acessibilidade. Os hotéis em funcionamento precisam se adequar, construindo rotas acessíveis e modificando seus dormitórios para receber hóspedes com mobilidade reduzida. A legislação exige que 10% dos dormitórios sejam acessíveis".

A Lei foi um marco que alterou de maneira geral  missão e valores do ramo da hotelaria no Brasil.

Mas e o atendimento das pessoas com necessidades alimentares específicas (com restrições alimentares)? Como os hóteis e pousadas tem se organizado e adaptado o seu serviço de alimentação, para que se tornem realmente INCLUSIVOS?

Haverá uma ação voluntária por parte do empresariado ou será preciso que leis sejam criadas para que o Direito à Segurança Alimentar de uma parcela da população seja garantido?

No Estado do Rio de Janeiro a cidade de Campos (norte do estado) já tem lei municipal que normatiza esse serviço. Mais conhecida como a "lei do desjejum", garante a celíacos e diabéticos opções de alimentação apropriadas às suas restrições alimentares no café da manhã incluido no valor da diária.

Muitos celíacos relatam em suas redes sociais boas experiências em vários hóteis em todo o Brasil. Seja ofertando produtos sem glúten industrializados em embalagens fechadas (a embalagem é aberta pelo próprio celíaco em sua mesa ou no quarto), seja servindo tapiocas, omeletes, batatas e raízes cozidas ou panquecas preparadas em frigideiras e panelas exclusivas para evitar os riscos de contaminação cruzada por glúten, é possível atender celíacos e sensíveis ao glúten com segurança.










Quando Celíacos e Sensíveis ao glúten fazem as malas para viajar (lazer, trabalho, estudo, tratamento de saúde, mudança de cidade, visita a parentes e amigos, etc), acabam ocupando boa parte delas com C.O.M.I.D.A e equipamentos de cozinha!!! Faz parte do Manual de Sobrevivência de Celíacos em Viagens - regra número 1. Mas nem sempre o planejamento é eficiente e os apertos acontecem. Poder contar com a estrutura dos hotéis para um café da manhã seguro ajuda e muito. 





A oferta de produtos sem glúten seguros no Brasil aumentou muito na última década. A possibilidade de se comprar esses produtos diretamente do produtor ou em lojas físicas ou virtuais facilitou o atendimento do público celíaco, anulando uma justificativa antiga de que não havia oferta ou o acesso era difícil. As grandes cidades já contam com empresas e Chefs que produzem alimentos frescos sem glúten seguros e podem entregar nos hotéis as opções que atendam a esses hóspedes especiais. 

Celíacos e seus familiares são clientes féis e gostam de divulgar na comunidade celíaca onde foram bem atendidos! 

O que falta para a rede hoteleira brasileira enxergar esses clientes em potencial?

***Se você é celíaco está inseguro para viajar, baixe o Guia Básico Viajando sem Glúten - clique aqui



LEI Nº 8.760, DE 29 DE JUNHO DE 2017.


"Dispõe sobre a obrigatoriedade de hotéis e estabelecimentos 
similares oferecerem desjejum apropriado para diabéticos e celíacos, 
no Município de Campos dos Goytacazes e dá outras providências."


A CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES DECRETA E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:

Art. 1º Os hotéis, pensões, motéis, flats ou similares, localizados no Município de Campos dos Goytacazes, que ofereçam serviço de hospedagem no qual o café da manhã (desjejum) esteja incluído no valor da diária deverão disponibilizar, para seus hóspedes, café da manhã adequado para consumo por portadores de diabetes e doença celíaca.

§ 1º O café da manhã para portadores de diabetes deverá ser servido com bebidas não adoçadas, especialmente café e leite, adoçantes sem sacarose e, no mínimo, um tipo de pão diet e dois tipos de frutas.

§ 2º Para portadores da doença celíaca deverá ser disponibilizado produtos que não contenham o glúten em sua composição, com pelo menos uma opção de pão e/ou bolachas.

§ 3º Os produtos disponibilizados nos termos desta Lei deverão ser servidos devidamente identificados como adequados para consumo por portadores de diabetes e portadores de doença celíaca.

§ 4º Quando o café da manhã for servido no quarto, o hóspede que desejar o serviço diferenciado de que trata a presente Lei deverá solicitá-lo expressamente.

Art. 2º Todos os estabelecimentos de que trata o Art. 1º desta Lei deverão afixar cartaz, placa ou similar, informando aos clientes sobre o direito dos portadores de diabetes e de doença celíaca instituída na presente Lei.

Parágrafo único. O aviso de que trata o caput deste artigo deverá ter a forma a ser determinada na regulamentação desta Lei e ser afixado em local de alta visibilidade pelos hóspedes, preferencialmente na portaria do estabelecimento ou no local onde for servido o café da manhã.

Art. 3º Os estabelecimentos de que trata a presente Lei, pelo serviço diferenciado, não poderão cobrar qualquer acréscimo ao valor regular da diária cobrada para os demais hóspedes.

Art. 4º O não cumprimento dos dispositivos desta Lei ensejará a aplicação de multa de (150) cento e cinquenta Unidades Fiscais de Referência (Ufir), bem como as demais penalidades previstas na legislação em vigor.

Parágrafo único. Em caso de reincidência a multa será aplicada em valor dobrado.

Art. 5º A presente lei deverá ser regulamentada pelo Poder Executivo Municipal no prazo de 90 (noventa) dias.

Art. 6º Essa Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES, 29 de junho de 2017.

Rafael Diniz
Prefeito 

Na mídia:
http://www.jornalterceiravia.com.br/2017/07/14/agora-e-lei-celiacos-e-diabeticos-tem-direito-a-desjejum-apropriado-em-hoteis-e-outros-estabelecimentos/

http://www.folha1.com.br/_conteudo/2018/02/economia/1231000-procon-fiscaliza-cumprimento-da-lei-do-desjejum-em-hoteis.html

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Celíacos e Sensíveis: sintomas de inalação de glúten no ar


Por Jane Anderson | Avaliado por Emmy Ludwig, MD
Atualizado em 20 de maio de 2018

Tradução: Google  |  Adaptação: Raquel Benati


(traduzimos o artigo original e publicamos em 17 de agosto de 2013 aqui no blog)


Há, de fato, evidências de que é possível ter sintomas pela inalação de glúten no ar.  Um relatório médico apóia a idéia de que é possível sentir sintomas da doença celíaca ao inalar o glúten, em vez de comê-lo. Além disso, há amplas evidências de que o glúten transportado pelo ar pode causar sintomas, tanto em pessoas celíacas quanto aquelas com sensibilidade ao glúten não celíaca. Portanto, embora  não tenha sido provado que o glúten no ar causa problemas, se você tem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten e continua a ter sintomas apesar de seguir uma dieta sem glúten, faz sentido procurar possíveis fontes de glúten no ar em seu ambiente.

Relato de Caso: Sintomas Causados ​​pelo Glúten transportado pelo Ar


O relatório médico, publicado no New England Journal of Medicine em 1997, envolveu dois agricultores diagnosticados com doença celíaca não responsiva (também conhecida como doença celíaca refratária ). ***

Todo dia os dois passavam um tempo em um espaço fechado, alimentando seu gado com uma mistura de cevada, trigo e outros grãos que continham pelo menos 6% de partículas de poeira em peso. O relatório estima que os dois agricultores "foram potencialmente expostos a mais de 150 g de partículas de poeira contendo glúten por dia, que estavam inalando e ingerindo".

Para referência, isso é cerca de 15.000 vezes a quantidade de glúten considerada "muito" diariamente para uma pessoa com doença celíaca.

Ambos os agricultores sofriam com sintomas contínuos, incluindo cólicas, inchaço, fadiga e diarréia. Um dos agricultores - aquele com os piores sintomas - apresentou atrofia vilositária total , apesar de seguir a dieta livre de glúten . O outro, que também seguiu uma dieta sem glúten, também apresentou danos intestinais, embora fosse menos grave.

Uma vez que ambos os agricultores começaram a usar máscaras faciais, seus sintomas foram esclarecidos. O agricultor com o dano intestinal mais severo viu melhora em seu revestimento intestinal, e o outro agricultor teve resolução total do dano.

O que isso significa para outros celíacos?


A maioria de nós não é agricultor, nem estamos expostos a tanto glúten todos os dias, seja de glúten em alimentos "sem glúten" ou de glúten no ar. No entanto, isso mostra que o glúten no ar pode ter um efeito e causar sintomas.


Para os não-agricultores, não existem estudos médicos que mostrem que o glúten no ar possa ser um problema. No entanto, evidências casuais sugerem que você pode ser contaminado por farinha no ar, seja em uma cozinha ou até mesmo perto de uma padaria de supermercado. Você não precisa ser super sensível.

Ração para animais podem representar um problema em potencial, de acordo com os médicos que escreveram o relatório médico de glúten no ar. Muitas marcas de rações secas para animais contêm glúten e, quando você mexe com elas, é possível inalar algumas delas. Além disso, alguns produtos domésticos em pó, como o composto do drywall, contém glúten e o trabalho com eles pode causar uma reação.

Como evitar o glúten transportado pelo ar


Para evitar o glúten no ar, você precisa saber onde isso ocorre. Aqui estão algumas sugestões, tanto da minha própria experiência como de outros educadores celíacos:

  • Nunca use farinha de trigo na sua cozinha. 

Não trabalhe com farinha; não deixe ninguém trabalhar com farinha em sua cozinha, e não visite amigos e familiares em suas cozinhas enquanto eles estão trabalhando com farinha. 

  • Mude a ração dos animais para ração sem glúten. 

É teoricamente possível evitar a poeira de glúten se:
a) alguém alimenta seu animal de estimação, e 
b) você mantém a comida e a tigela do lado de fora de casa. 

Mas se você tiver um relacionamento próximo com seu animal de estimação, será melhor trocar a ração de qualquer maneira, já que você provavelmente fica exposto sempre que seu animal de estimação lhe lambe ou faz vc faz carinho nele.

  • Evite locais onde o drywall está sendo instalado. 

Se você precisa ter um trabalho feito em sua casa, peça para outra pessoa fazê-lo e fique longe até que o local de trabalho esteja completamente limpo. Não use massa ou composto "spackling", já que muitos são à base de trigo.

  • Tenha cuidado com padarias. 

Algumas parecem ok, enquanto outras são problemáticas. A diferença pode estar nos sistemas de ventilação. Cheiro de pão e outros produtos que levam fermento não vão fazer você reagir, mas se você pode sentir o cheiro do pão e biscoitos assando, também pode haver farinha no ar, e você pode arriscar uma reação no ar por causa disso.

  • Considere usar uma máscara facial em determinadas situações. 

Isso não é de forma alguma infalível, mas para exposições curtas, isso pode funcionar. Procure um respirador completo, em vez de uma máscara de pintor. Se você tem asma ou outra condição respiratória que afeta sua respiração, você deve usar um respirador com cuidado e removê-lo se tiver dificuldade para respirar com ele.

Sobre limites individuais

Nem todo mundo precisa tomar todas essas precauções. Se você não é particularmente sensível à contaminação cruzada com glúten, você pode ficar bem na maioria ou em todas essas situações. Mas se você descobrir que ainda tem sintomas inexplicáveis, mesmo que siga rigorosamente a dieta sem glúten, talvez queira verificar seu ambiente e sua comida.

***Kasim S. et al. Nonresponsive Celiac Disease Due to Inhaled Gluten. New England Journal of Medicine 2007; 356:2548-2549.


Texto original: