quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Degraus na Jornada sem glúten



10 Passos em direção à Saúde


Raquel Benati 
​(Texto escrito originalmente para meu Web Aplicativo Vida sem Glúten)

A vida sem glúten ainda é novidade para muitas pessoas. O mundo conhece pouco do universo sem glúten. Por isso muitas pessoas se sentem isoladas, diferentes, deslocadas em qualquer situação. Para enfrentar o desafio e conseguir sair do lugar apresentamos aqui 10 etapas ou degraus dessa jornada sem glúten a serem vencidos.

1 - Reconheça que você tem um problema com o trigo / glúten 

Quem precisa ficar longe do glúten SABE que essa proteína não é bem  vinda em seu organismo. Mas é preciso ASSUMIR isso internamente para que seja possível desenvolver estratégias eficazes em conseguir viver longe do glúten. 

Se o glúten é o seu inimigo, foque suas energias em garantir que ele saia de sua vida. Tire o peso de cima do que você acha que está “perdendo”  e  valorize o que você está ganhando – Saúde! 

A sociedade pode reagir à sua dieta com respeito ou com ironia, desconsideração ou até mesmo pena. As  expressões  “só um pouquinho não faz mal” , “isso é frescura” ou “é dieta da moda” fazem parte da nossa vida. Podemos ter paciência e explicar ou podemos  “chutar o balde” e ir comer em outra freguesia, sem glúten...

2 - Enfrente a situação: se organize 

Seja em casa, no local de trabalho ou estudo, você precisa aprender a planejar o seu dia em relação ao que vai comer e onde. É esse planejamento que vai te ajudar a seguir firme na dieta. Com o tempo vai se tornar uma coisa tão automática quanto se organizar para ir trabalhar ou estudar ou outras tarefas que exigem um certo planejamento mas que já fazemos rotineiramente.

Pense no cardápio da semana e faça compras sempre que possível - mantenha a geladeira abastecida com alimentos frescos, mantenha seus armários com o mínimo necessário de ingredientes para que você possa cozinhar e ter sempre à mão alimentos sem glúten saborosos e nutritivos. O fato de não ter comida sem glúten segura em casa ou no trabalho é o motivo  mais comum para furar a dieta. Marmita agora é a “nova ordem mundial” na sua vida – sua companheira de todas as horas, certas e incertas!

3 - Construa sua Rede de Apoio 

Precisamos nos cercar de pessoas que possam nos ajudar não só com a dieta, mas também quando adoecemos ao furar a dieta, voluntária ou involuntariamente. Para uns serão os familiares mais próximos, para outros serão amigos ou vizinhos. Informe a essas pessoas sobre suas restrições alimentares. Explique os problemas com os riscos de contaminação cruzada e como isso afeta o seu cotidiano (mas não espere que essas mesmas pessoas se tornem especialistas no assunto – você é que precisa saber com segurança como e porquê o glúten te afeta e onde ele se esconde!). 

Esteja com seus iguais! É muito bom poder trocar experiências com outras pessoas que também estão nessa jornada sem glúten, mesmo que seja através do mundo virtual das redes sociais. Encontre seu grupo, faça novos amigos e toda vez que sentir que a vida sem glúten está ficando pesada e difícil, recorra a eles para ganhar forças e ânimo para vencer as dificuldades e os novos desafios.

4 - Busque ajuda profissional 

Se já tem meses que você está tentando seguir uma dieta sem glúten bem  feita e não está conseguindo, é o momento de buscar ajuda profissional. Nutricionistas e Terapeutas especializados em transtornos alimentares poderão te ajudar a identificar os problemas e junto com você encontrar soluções para sanar essas dificuldades. 

Algumas deficiências nutricionais podem estar atrapalhando as mudanças em relação à dieta. Uma pessoa anêmica terá mais dificuldades em conseguir se organizar e dar conta de todo o planejamento que a dieta sem glúten necessita. Assim como deficiências de B12, ácido fólico, vitamina D, ferro também vão influenciar negativamente na forma que a pessoa age ou se sente. Ou podemos estar diante de transtornos emocionais, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, compulsão alimentar, anorexia, bulimia. O glúten está relacionado a muitos desses transtornos.

5 - Conhecendo novos sabores - reaprenda a comer 

Um erro que muitas pessoas cometem é ficar eternamente presos aos sabores e texturas antigas, aqueles dos alimentos com glúten. É uma eterna busca pelo “pão francês sem glúten” perfeito e muita frustração, já que os resultados serão sempre “similares”, mas não idênticos.  

Aprenda a apreciar os novos sabores que você está descobrindo com a dieta sem glúten. Dê tempo ao seu paladar. Assim como o bebê deve ser exposto ao mesmo alimento de 8 a 10 vezes para que ele se acostume e aprenda a gostar daquele sabor, quem entra na dieta sem glúten precisa passar pelo mesmo processo. Mas se ficar sempre ligado aos sabores antigos, vai perder a oportunidade de apreciar o  novo ou mesmo de conseguir criar novas receitas.
A culinária tradicional brasileira é naturalmente sem glúten e muito rica. Aventure-se! Se jogue em novos ingredientes, em novas preparações. Desperte seu lado “Chef”!

6 - Novas estratégias para velhas situações 

(e novas também)

Se você vai comer na casa de parentes, sair com amigos, participar de alguma festa ou eventos onde serão servidos alimentos com glúten, leve sua refeição. Não sinta vergonha – você tem uma necessidade alimentar especial e está protegendo sua saúde. Ou coma em casa, antes de sair. Assim estará bem, aproveitando a companhia de amigos e parentes, sem risco de voltar doente para casa.
Se for possível, passe a fazer as reuniões de família em sua residência, onde você pode controlar melhor o que vai ser preparado, garantindo assim sua segurança. 

Se você vai viajar, faça o dever de casa: descubra antes se no local você terá como se alimentar de forma segura. Pesquise na internet, pergunte em grupos sobre dicas e recomendações e mesmo sabendo que no seu destino haverá acesso a alimentos sem glúten, leve comida na mala. Nessas horas os industrializados são nossos “melhores amigos”. Latas de milho, ervilha, feijão, atum, sardinha, embalagens com azeitonas, conservas de palmito ou picles, biscoitos, pães, barrinhas energéticas, frutas desidratadas. Se a viagem  tiver duração de muitos dias leve pelo menos uma panela elétrica  de fazer arroz (bivolt). Além de cozinhar arroz e legumes no vapor, você poderá fazer uma infinidade de receitas cozidas de forma segura e sem estragar a viagem por causa de uma possível contaminação por glúten ou mesmo por falta de alternativa de alimento sem glúten. 

7 - Saúde x Doença - Conhecimento é Poder - firmeza nas escolhas 

Quanto mais aprendemos sobre nossa condição, mais facilmente podemos tomar decisões sobre nossa dieta e nossa saúde. Entender como e porque o glúten te afeta é essencial para, em um momento de dúvida ou tentação em furar a dieta, esse conhecimento te ajude a se manter longe do perigo.

Não se trata de querer saber mais que seu médico ou nutricionista. É questão de sobrevivência! Troque informações com outras pessoas na mesma situação que você, descubra fontes confiáveis de informação e estude. Se torne professor de você mesmo.

8 - Mudança de Paradigmas 

“Reconhecer a necessidade de mudar a forma como percebemos nossos problemas é o primeiro passo para solucionar a causa de todas as dificuldades. Como alguém pode mudar o que não está funcionando em sua vida, se continuar apegado aos mesmos padrões de percepção de antes?

A lógica elementar nos diz que para resolver um problema é necessário colocá-lo sob uma ótica diferente daquela que o criou. Isso requer uma mudança de paradigma, uma nova forma de ver a si mesmo e à vida. É preciso mudar a forma como percebemos as nossas dificuldades e as interpretamos internamente, a fim de que possamos nos abrir para outras dimensões da realidade. E assim, encontrar o caminho para as soluções desejadas.”  Jael Coaracy

É difícil acreditar que um alimento seja um veneno. É difícil admitir que aquilo que você gosta te faz mal. Mas só mudando nossa visão sobre esse alimento será possível nos afastar dele.

9 - Mudando a realidade à sua volta 

O mundo é glutenado – ponto. Não vamos conseguir mudar o mundo, mas podemos educar quem convive conosco sobre nossa necessidade alimentar especial, sobre nossa condição. É justamente com essa ação de informar e educar que veremos acontecer as  mudanças importantes à nossa volta. Acredite na sua capacidade de, junto com sua rede de apoio, sensibilizar as pessoas sobre vivermos em um mundo mais inclusivo e diverso. Esse processo é lento, mas os resultados acontecem.

Participe de grupos, presenciais ou virtuais. As ideias brotam e as ações aparecem.

10 - Empatia e Compaixão - calçando os sapatos dos outros! 


A comunidade dos “sem glúten” é grande e diversa. Uma parte dela enfrenta muitas dificuldades em conseguir fazer uma dieta sem glúten rigorosa. Dizer que furar a dieta “é preguiça de não cozinhar”,  “é fraqueza de caráter” ou “mimimi de quem não quer sair da zona de conforto” são expressões repetidas inúmeras vezes por pessoas do próprio grupo. Não reproduza esse comportamento. A empatia nos ajuda a ver com os olhos do outro. A Compaixão nos coloca lado a lado com  a dor do outro.

Agir com firmeza e ajudar a quem está precisando encarar a realidade é diferente de ofender ou menosprezar o que o outro sente. Se você hoje já caminha firme na estrada sem glúten, divida suas experiências e ajude quem está chegando.

Se você acabou de chegar, identifique e respeite aqueles que já superaram as dificuldades e estão compartilhando seu conhecimento para que os novos desafios sejam mais amenos para todos.

Conheça o web aplicativo (navegue pelo celular ou computador sem precisar baixar ou baixe para seu celular): http://app.vc/vida-sem-gluten 


Nenhum comentário:

Postar um comentário